… Idosos Encaixotados ou Corredores da Morte?…
Sei que a legislação relacionada com o exercício desta actividade é bastante exigente e tenho a noção que provavelmente até há lares em que não ocorre nenhuma das situações negativas que aqui divulgo, mas por enquanto, muita coisa está por fazer!
No inicio de 2005, era a Dra. Maria José Nogueira Pinto provedora as Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e enviou alguns idosos para lares sem alvará, não está em causa as condições que esses lares poderiam oferecer, o que está em causa é que se quem quer abrir uma loja, para venda de qualquer produto, precisa de apresentar uma série de papeis, que vão desde o projecto da distribuição do equipamento, projecto de segurança contra riscos de incêndio… etc.,…etc., para obter o respectivo alvará, caso contrário, se abrir a loja sem licença, tem a policia à porta para lhe fechar o estabelecimento e uma série de multas para pagar, como poderão os lares funcionar sem alvará?!…
Mas se este foi um caso mediático divulgado por diversos órgãos de comunicação social, muitos outros ocorrem longe das câmaras de televisão e das objectivas do fotógrafos, logo, faz de conta que não existem e estes são muitos e ocorrem em lares geridos pelas mais variadas entidades, entre elas a Santa Casa da Misericórdia e passam pela falta de Licença ou Alvará para o exercício da actividade, alimentação de má qualidade, com excesso de gordura e desequilibrada em termos proteicos, inexistência de programas que levem os internados a desenvolver uma actividade física, inexistência de programas lúdicos, excepto a visualização ininterrupta de televisão, violência verbal e física sobre os internados, acompanhamento clinico deficiente ou inexistente, os familiares dos internados são chamados a pagar medicamentos, que o lar receita, no seu valor total, quando o internado tem possibilidade de adquirir o mesmo medicamento com comparticipação, os familiares dos internados são levados a pagar fraldas, sem que o internado as use ou que só usa porque são obrigados a usá-las porque são ignorados quando chamam as empregadas para que estas os ajudem a ira à casa de banho ou para que lhes levem a arrastadeira, quando querem fazer as suas necessidades fisiológicas, idosos que pesam mais de cem quilos, sem força, autênticos “pesos mortos”, são levantados por uma só empregada, situação de enorme esforço para uma só funcionária e que coloca em risco a integridade física de ambos, até porque a mesma empregada é chama a fazer esse esforço várias vezes ao dia.
Todavia, a divulgação de situações de mau desempenho dos lares de terceira idade, tem pouca visibilidade pois não interessa a quem os gere, por razões obvias, dado que passariam a ver os lucros diminuídos e poderiam inclusivamente vir a ser punidos judicialmente, não interessa aos empregados, porque poderiam vir a perder o emprego em resultado de represálias, não interessa aos familiares dos internados, porque poderiam ter que ir encontrar outro lar, possivelmente mais caro e tirando raras excepções, se o internado tiver bens, no que os seus familiares mais pensam é na herança e se o internado não tiver bens ou já tiver distribuído a herança, os familiares não têm razões para se preocuparem com eles, não interessa à fiscalização, por razões que prefiro desconhecer, no entanto não deixa de ser estranho que haja lares que são avisados com antecedência, da visita dos inspectores, não interessa ao poder político, que está mais preocupado com outros casos que considera prioritários, não interessa aos internados, pois se já são maltratados, se forem fazer queixa, ainda pior, seriam vítimas de perseguição e além disso, quando se queixam são de imediato considerados, velhos chatos, rabugentos, difíceis de aturar e mentirosos, sendo obrigados a “comer e calar” até que a morte os cale para sempre.
Urge pois, alterar a forma como olhamos pelos nossos “velhos”!!!…
js