A devolução de acervo cultural ao seu país e sítio de origem constitui uma temática complexa da acção cultural. A universidade de Heidelberg rompeu com a tradição de não devolução afastando-se assim das posições assumidas por museus de Londres e Paris, por exemplo. A verdade é que a devolução de património cultural ao seu local de origem constitui um respeito pela cultura e memória do país de origem e bem assim, um dever de aproximação cultural mutua.
Mas a verdade é que este tema suscita forte controvérsia, uma vez que há quem defenda – não é descabido o argumento – que não se deve devolver o acervo uma vez que a descoberta, expropriação, conquista ou aquisição deste faz parte da história do país de destino. Será que o Louvre deveria devolver as suas múmias ao Egipto, país de origem, ou tem legitimidade de as conservar uma vez que disso não decorre desrespeito pela memória das mesmas, implica maior fruição dos públicos e a sua conquista faz parte da história da arqueologia francesa?
No mínimo complexo.
João Ferreira Dias
6 Comentários até agora
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Ainda bem que aconteceu.
De resto a discussão há muito que se debate.
Eu pessoalmente, e pela formação que tenho, defendo que as peças devem estar nos seus locais de origem, mas tb sei que isso hoje ainda é uma utopia.
No entanto são acções como esta que podem aos poucos fazer mudar a política patrimonial internacional.
Desta feita feita tb o Louvre deveria devolver a Portugal o espólio roubado a queando das invasões francesas…
O debate continua.
Olha e porque não pores estas questões a debate no blog?
Comment por Ludovicus Rex Setembro 7, 2006 @ 12:28 pmUm abraço
e não falta ainda aquela parte que está no Museu Britânico? (bem maior, acho eu)
na verdade, esse argumento de que a possessão destes fragmentos saqueados pertence “a História do país que agora os detém” é falacioso… Os ingleses neolíticos praticavam o canibalismo, isso quer dizer, que como o canibalismo faz parte da História Inglesa deve ser ainda praticado? Os factos têm contexto, e este é o caso… No contexto do séc. XIX britânico, o saque do Partenon (e de boa parte do Egipto) fazia sentido e era moralmente justo, mas agora? em pleno século XXI? Agora tem apenas objectivos comerciais (turismo) e nacionalistas, nada mais…
Comment por Rui Martins Setembro 7, 2006 @ 12:53 pmA minha é em Património Cultural cokm especialização em Ciências Documentais e da Informação.
O problema de poucos leitores não é problema, fazemos um frente de divulgação.
Que pensas?
Um abraço
Comment por Ludovicus Rex Setembro 7, 2006 @ 1:26 pmBem dá o mote a partir do teu artigo, e a partir dai enviaremos aos nossos contactos via email, mais divulgação nos nossos blogues. Esta é um ideia, mas podem haver outras mais.
Ma terems que começar por algum lado.
Depis tentarems divulgar junto de páginas de projeção nacional, como jornais. olha o jn tem uma página de notícias e desabafos, assim como foruns ligados à area.
Esta é a minha ideia, que me dizes?
Comment por Ludovicus Rex Setembro 7, 2006 @ 1:53 pmIa ser complicado para 90% dos museus onde a maior partes das obras são estrangeiras e foram obtidas em conquistas ou invasões…
Comment por Tiago Viana Setembro 7, 2006 @ 4:47 pmDe qualquer forma, pode ser justificada a não devolução das peças que, mais do que pertença do seu país de origem sejam consideradas património mundial.
Comment por Rui Geraldes Setembro 9, 2006 @ 2:11 amVamos, por exemplo, ao exemplo da “Roseta Stone”, que foi descoberta no Egipto e serviu para decifrar a escrita hieroglífica. O Egipto é um país instável e, se considerarmos por exemplo o que aconteceu no Iraque com o saque dos museus após a queda de Saddam Hussein, poderemos ter justificação para a não devolução de determinados artefactos insubstituíveis.