… Um “Território” Sem Lei nem Fronteiras Definidas …
Se há fronteiras que não se sabe muito bem onde ficam, uma das mais importantes é a que separa a responsabilidade da irresponsabilidade política.
Quando durante a vigência de um mandato se efectua algo de positivo e que seja bem visto pela comunidade, mesmo que o político que exerce o cargo mais destacado não tenha tido qualquer influência na implementação de tal medida, este, não tem qualquer pejo em reclamar para si os loiros, afirmando: – Durante o meu mandato, eu fiz isto!
Mas se alguma medida foi tomada por iniciativa desse mesmo político e as coisas correram mal e a iniciativa se revelou um autêntico fracasso, nessas circunstâncias, a conversa do político assenta no seguinte padrão: – Pois…, eu …na realidade, falei nesse assunto … mas a responsabilidade pela implementação de tal medida foi dos técnicos!… eles é que tinham a obrigação de analisar se isso podia ou não, ser feito desse modo!… Eu, quanto muito, poderei ser considerado … o responsável político …
A repetição sistemática deste tipo de atitude, que não é passível de qualquer penalização e que é merecedora da solidariedade de todos os políticos, em clara acção cooperativista, por mais escandalosos e clamorosos que sejam os erros cometidos… (será difícil esquecer o caso do sangue contaminado – Leonor Beleza e o apoio dado a esta por Mário Soares) … suscita a seguinte pergunta: – Em Portugal, haverá alguma fronteira entre responsabilidade política e irresponsabilidade política?… ou será que estas duas designações definem a mesma “coisa”?…
Urge pois, demarcar legalmente os “territórios”, bons e maus, da acção política, para bem de uma Democracia que se quer responsável!… e de uma população que se quer, no mínimo, sentir respeitada!!…
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Achei muito interessante esse texto, pois é raro encontrar na internet algo dito tão claramente sobre a responsabilidade política.
Comentário por Beatriz Carvalho Setembro 2, 2008 @ 1:22 pmParabéns!